História

Título parágrafo

Entrevista do Presbítero Eli Muniz com o Rev. Willes Banks, em 19/07/1992, no Morrinho, relatando brevemente uma pequena parte da história do presbiterianismo do Vale do Ribeira.

Morrinho

Willes Roberto Banks
A história de Morrinho e do evangelho em todo o Vale do Ribeira e Baixada Santista começa com um servo do Senhor chamado Willis Roberto Banks, nascido em Guaraqueçaba, Paraná, em 15 de novembro de 1864, um dos três filhos dos norte-americanos Joseph Robert Banks e Ambrosina Gibbs, sendo seus irmãos Francisca Banks e Joseph Banks.

Casou-se com Vicência da Cruz Machado, com quem teve uma única filha, Izaltina Banks.

Moraram por algum tempo na fazenda do pai de Vicência, em Tibagi. Mais tarde foram para o sertão do norte do Paraná, onde viveram por seis ou sete anos.


Quando ali estavam, receberam a visita de dois engenheiros norte-americanos que foram medir terras em missão do governo. Um deles era Guilherme Lane, filho do Dr. Horace M. Lane, diretor do Mackenzie College, em São Paulo.

Tempos depois, Willis recebeu uma carta do Dr. Horace Lane convidando-o para administrar a sua fazenda Poço Grande, em Juquiá, no litoral sul de São Paulo.

A família então empreendeu a penosa viagem de carroça, trem, navio, vapor e canoa até a fazenda Poço Grande, ali chegando no dia 16 de janeiro de 1897.

Willis começou a realizar cultos domésticos, inicialmente sem intenção evangelística, mas a assistência foi se tornando cada vez mais numerosa. Através do Dr. Lane, convidou o Rev. Modesto P. B. Carvalhosa para visitá-los. O Rev. Carvalhosa, pastor da 2ª Igreja Presbiteriana de São Paulo, permaneceu por mais de uma semana em Poço Grande, em meados de 1898, tendo recebido trinta e seis pessoas por profissão de fé, inclusive Izaltina Banks, e batizado vinte e seis menores. Surgiu assim a primeira Igreja Presbiteriana e, na época, a única igreja evangélica do extenso litoral sul-paulista, da qual Willis se tornou presbítero.

A Igreja de Juquiá foi formalmente organizada pelo Rev. Carvalhosa em 10 de outubro de 1900. Nessa ocasião, Willis Banks foi eleito presbítero.

Sob a liderança de Willis, foi construído um templo no topo de uma colina às margens do rio Juquiá, a dois quilômetros de Poço Grande, no lugar conhecido como Morrinho. Algum tempo depois, o casal Banks iniciou uma escola em sua casa, onde também residiam os alunos, crianças pobres que vinham de longe. Com seus modestos conhecimentos de medicina, prestava assistência ao povo da região, inclusive realizando pequenas cirurgias.

Depois de seis anos como administrador da fazenda e evangelista da região, Willis resolveu voltar para o Paraná. Fez a difícil viagem a São Paulo para comunicar a decisão. Nessa viagem, que Willis fez diversas vezes para ir a reuniões do presbitério ou do sínodo, ele tinha de caminhar até Osasco (quase 200 km) e então tomar o trem, já próximo de São Paulo. O Dr. Lane e o Rev. Carvalhosa insistiram para que não abandonasse Juquiá.

O casamento da filha com um rapaz dessa cidade fez com que o casal desistisse de retornar ao Paraná, passando a residir naquele local. O casal Banks teve apenas uma filha, Izaltina Banks Leite, que se casou com o comerciante Joaquim da Glória Leite e teve onze filhos: Eunice, Ruben, Jonas, Ruth, Calvino, Paulo, Willes, Esther, Casemiro, Sara e Dot. Duas de suas filhas, Eunice e Ruth , foram fundadoras da sociedade de senhoras da igreja da Lapa.

Iniciou-se uma igreja em Juquiá, da qual um dos primeiros membros foi o Sr. João Adôrno Vassão, pai do futuro Rev. Amantino Adorno Vassão.

Willis Banks prosseguiu com seu ministério evangelístico e terapêutico. Inventou as chamadas “pílulas Banks” para tratar as muitas pessoas atacadas pela verminose. Ao mesmo tempo, visitava assiduamente as congregações nascentes e evangelizava os lares. Mais tarde, o casal Banks residiu por cinco anos em Ponta Grossa. Nesse período, o campo evangelístico de Juquiá foi visitado pelos Revs. Erasmo Braga, Coriolano de Assunção, Júlio Sanguinetti, Robert Daffin, João Paulo de Camargo e James Porter Smith. Em 1918, o casal Banks e os netos mais velhos foram residir no bairro da Lapa, em São Paulo. Mediante autorização do Rev. Matatias Gomes dos Santos, pastor da  Igreja Unida, Willis iniciou uma escola dominical. Seu trabalho evangelístico resultou no primeiro grupo de convertidos, que fizeram sua pública profissão de fé na Igreja Unida e formaram o núcleo inicial da Igreja Presbiteriana da Lapa em 1924.

Três anos mais tarde, o casal Banks voltou para Juquiá. Como havia feito em Morrinho, Willis montou uma olaria e construiu um belo templo.

Com um barco de alumínio doado por uma igreja americana, continuou a viajar e a pregar por toda a extensa região. Iniciou um ponto de pregação em Iguape, onde, entre os primeiros convertidos, estavam o Sr. Evaristo Ribeiro e esposa, pais do futuro Rev. Zaqueu Ribeiro.

De Morrinho, Juquiá e Iguape, o evangelho irradiou-se por todo o vale do Ribeira. Após cinco ou seis anos em Iguape, o velho casal retornou para Juquiá, onde D. Vicência faleceu em 20 de setembro de 1940, sendo oficiante em seu enterro o Rev. Amantino Vassão.

Adoentado, Willis seguiu para São Paulo, onde os médicos, dentre eles o Dr. Job Lane, do Hospital Samaritano, diagnosticaram câncer no estômago. Diante do seu desejo de ser sepultado em Juquiá, foi levado de automóvel para aquela cidade. No dia seguinte, 22 de março de 1942, um domingo, o dedicado evangelista faleceu aos 77 anos de idade.

Um neto do pioneiro seguiu a carreira ministerial – Rev. Willes Banks Leite, falecido em 1996.

Ao longo dos anos, a Igreja do Morrinho vem sendo um apreciado local para encontros e retiros dos presbiterianos da região. Esses encontros, conhecidos como Instituto Bíblico de Morrinho, acontecem anualmente no mês de julho.

Fonte:
Rev. Alderi Souza de Matos
Pastor presbiteriano e historiador oficial da IPB.
Adaptado